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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ser mãe é o máximo

Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:
Eu os amei o suficiente para ter perguntado: "Onde vão, com quem vão e a que horas regressarão".
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio, e fazer com que eles soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé duas horas junto deles, enquanto limpavam o quarto: tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por eles, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que poderiam me odiar por isso - e em alguns momentos até me odiaram.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas

Um dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer, quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má: "Sim... Nossa mãe era má! Era a mãe mais má do mundo..."
As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvete no almoço, e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora - tocava nosso celular de madrugada.

Era quase uma prisão; mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que eles faziam.
Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos a verdade, e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler nossos pensamentos.
Enquanto todos podiam voltar tarde à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16 para chegar mais tarde, e aquela "chata" levantava para saber se a festa foi boa - só para ver como estávamos ao voltar.

Por causa de mãe, nós perdemos algumas experiências da adolescência.
Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o nosso melhor para sermos "Pais Maus", tal como a nossa mãe foi.
Marice Piffer

Por que ler?

Por que ler?

Não consigo imaginar minha atividade docente sem a leitura de bons livros. Adoro ler e sempre estou me aprimorando nesse quesito. Atualmente estou lendo Usina de José Lins do Rego, obra que faz parte do Pré Modernismo Brasileiro, pré requisito para  entender o que foi o Movimento Modernista Brasileiro.
antes desse livro li Morte em Veneza de Thomas Mann e antes li Dublinenses de James Joyce. Penso que os livros são parte integrante do meu trabalho pedagógico e da minha vida. É a parte que me cabe nessa descoberta de quem eu sou, na busca de mim mesma. Não há quem possa dizer que nunca teve contato com livros em sua vida escolar, em sua infância. Nós, educadores, temos o dever de incentivar e encontrar formas de resgatar este gosto pela leitura. Nós só conseguiremos transmitir a nossos alunos este prazer se acreditarmos em sua importância e se, realmente, tivermos este hábito. Os alunos percebem quando nossas atitudes condizem com nosso discurso. Não adianta falar para eles que ler é importante se o aluno perceber que nós professores temos um discurso vazio, ou seja, não vivemos o que pregamos.
Peço a Deus força a fim de que eu não desista de sonhar com um país de leitores e dê minha pequena contribuição fazendo o que sei fazer: estimulando meus alunos a ler.

O Professor está sempre errado

O Professor está sempre errado

Quando...
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "cdf".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com outros professores, está malhando os alunos.
Não conversa, é desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Não dá matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances dos alunos.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a língua dos alunos, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, "deu mole".
É, o professor está sempre errado, mas se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

Eeeeeeu sou brasileeeiro

Carta a Joe Sharkey do New York Times

Meu caro Joe Sharkey
Como o senhor tem coragem de afirmar que o sistema de controle aéreo brasileiro não presta e não é confiável?
Justo o senhor que vive na cidade de Nova York que foi testemunha de uma das maiores burradas no tráfego aéreo da história da humanidade.
Foi em sua Nova York , no seu infalível Estados Unidos, que dois Boeings 767s entraram nas Torres Gêmeas sem que nenhuma providência fosse tomada.
Ainda o primeiro vai lá, ninguém podia imaginar aquela loucura. Mas o segundo atingiu a outra torre "muitos" minutos depois. E o que o seu magnífico sistema de tráfego aéreo fez para evitar isso?
O pior de tudo é que outro Boeing conseguiu invadir sua capital e atingir o prédio do "Pentágono" sem que nada fosse feito. E um quarto avião iria atingir o Capitólio se não fossem os supostos bravos passageiros.
Diga meu amigo, o sistema de controle aéreo brasileiro é que é precário ? O brasileiro é que é incompetente?
Que americano se acha dono do mundo e da verdade isso todos já sabem. Mas o senhor que é uma pessoa culta e que trabalha para um jornal como New York Times, deveria ao menos ter bom senso. Deveria ter aproveitado a chance de ficar quieto. Ainda mais depois que foi abençoado com um milagre e escapou da morte por pouco. Será que nem isso fez seu coração americano amolecer, não é mesmo?
Quer dizer que o Brasil é selvagem e você teme pela integridade física dos seus pilotos? Lembre-se meu amigo que são vocês, comedores de hamburguers, que matam pessoas adoidado no Iraque só pra garantir gasolina em seus carros. E não a gente.
São vocês que nos obrigam a tirar os sapatos e cintos numa situação quase humilhante nos seus aeroportos, graças a incompetência do seu sistema de segurança que foi incapaz de detectar dezenas de terroristas armados com facas entrando em seus aviões.
Faça um favor a todos nós brasileiros, não volte mais pra cá. Fique aí na sua terra, fazendo sua guerra, falando besteira e votando no Bush.
Atenciosamente,
Sérgio Scarpelli 
(Redator da TBWA e premiado nos principais festivais de propaganda - nacionais e internacionais. Também produz e apresenta o programa Jazzmasters na Rádio Eldorado FM (92,9 MHz - SP) e rede.)


Ser professor...

Verdade PURA

O cara termina o segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade.
O pai, meio mão de ferro, dá um apertão:
- Ahh, não quer estudar? Bem, perfeito. Vadio dentro de casa eu não mantenho, então vai trabalhar...
O velho, que tem muitos amigos, fala com um deles, que fala com outro até que ele consegue uma audiência com um político que foi seu colega lá na época de muito tempo atrás:
- Rodriguez!!!! Meu velho amigo!!! Tu te lembra do meu filho? Pois é, terminou o segundo grau e anda meio à toa, não quer estudar. Será que tu não consegue nada pro rapaz não ficar em casa vagabundeando?
Aos 3 dias, Rodriguez liga:
- Zé, já tenho. Assessor na Comissão de Saúde no Congresso, R$ 9.000,00 por mês, prá começar.
- Tu tá loco!!!!! O guri recém terminou o colégio, não vai querer estudar mais, consegue algo mais abaixo...
Dois dias depois:
- Zé, secretário de um deputado, salário modesto, R$ 5.000,00, tá bom assim?
- Nãooooo, Rodriguez, algo com um salário menor, eu quero que o guri tenha vontade de estudar depois....Consegue outra coisa.
- Olha Zé, a única coisa que eu posso conseguir é um carguinho de ajudante de arquivo, alguma coisa de informática, mas aí o salário é uma merreca, R$ 2.800,00 por mês e nada mais....
- Rodriguez, isso não, por favor, alguma coisa de 500,00, 600,00, prá começar.
- Isso é impossível Zé!!!*
- Mas, por que???*
- PORQUE ESSES SÃO POR CONCURSO, PRECISA TÍTULO SUPERIOR, MESTRADO, CURRICULUM, ANTECEDENTES, EXPERIÊNCIA PRÉVIA... É DIFÍCIL...


 

Ética se aprende na faculdade?

DESCONVITE
 
Depois de convidado para ser patrono dos formandos dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo 2005-2 da Universidade Estácio de Sá de Santa Catarina, o Professor Rubens de Oliveira recebeu uma mensagem eletrônica desconvidando-o, de forma cortês, pelo fato dele ter contribuído com pequena quantia de dinheiro para as festividades.
Em resposta, o desconvidado aceita o desconvite e desanca os convidantes.
Como é atual essa história de paraninfo e dinheiro, de forma expressa ou implícita, vale a pena ler a troca de correspondências entre os estudantes e o mestre desconvidado
E-MAIL DA COMISSÃO DE FORMATURA:
Excelentíssimo Dr. Professor Rubens Araújo de Oliveira
Assunto: Desconvite Patrono Estácio Data: 02/12/2005
Nós da comissão de formatura 2005/2 dos cursos de Administração, Turismo, Jornalismo e GSI da faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, vimos por intermédio desta, comunicá-lo de uma situação que nos deixa muito constrangidos e de certo modo frustrados: Há alguns meses, em visita pessoal entre os membros da comissão de formatura a Vossa Senhoria, solicitamos e fomos prontamente atendidos e correspondidos na solicitação do convite, que muito nos honraria para homenageá-lo como Patrono das turmas acima mencionadas.
Até então, também foi abordado a possibilidade de um auxílio para amenizar os custos referentes à formatura.
Hoje pela manhã, fomos informados formalmente que o auxílio que poderia ser repassado aos formandos seria de R$ 1.000,00, que entendemos que esteja dentro das suas atuais possibilidades financeiras.
Ao repassar esta informação, a comissão e os demais formandos ficaram em uma situação delicada em face da dificuldade em completar o orçamento.
Os mesmos reagiram e sugeriram o auxílio de outra pessoa, que era também cogitado a ser homenageado, cujo valor disponibilizado amortizará o custo relativo ao local da colação de grau, pois contávamos com a disponibilidade do novo auditório da Estácio. Então, diante desta situação extremamente complicada, nós, da comissão, acatamos o que a maioria dos formandos optou, que é de homenagear como Patrono a outra pessoa que fará uma contribuição mais elevada.
Gostaríamos de agradecer o aceite e o comprometimento, nos desculpar pela alteração e pelo não cumprimento do convite que fora gentilmente aceito pelo senhor, mas diante dos fatos, a maioria decidiu que seria mais justo homenagear a pessoa que se propôs a fazer a maior contribuição para com os formandos.
Ficamos no aguardo de um retorno do recebimento deste.
Atenciosamente,  
Comissão de formatura 2005/2
RESPOSTA DO PROFESSOR:
Prezados Acadêmicos da Comissão de Formatura dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo 2005-2,
Vocês não devem se sentir constrangidos. Frustrados, sim; constrangidos, nunca! Quem sabe este constrangimento não se trata de vergonha! Ou falta de caráter! Ou ainda falta de ética! Entendo que estou "desconvidado" para ser Patrono. Em minha vida de quase 30 anos como professor, devo ter sido patrono, paraninfo, nome de turma e homenageado - dezenas de vezes. Jamais imaginei que formandos convidassem e "desconvidassem" patronos por dinheiro! Enfim, sempre há uma primeira vez para tudo. Se eu utilizasse a mesma moeda (literalmente) é uma pena não ter sido comunicado antes... Neste caso, por idêntico critério não teria pago minha parte como "patrono" na última festinha de confraternização dos formandos.
Meus queridos ex-futuros afilhados: Eu é que me sinto constrangido. Decepcionado. Surpreso. Triste, mesmo! Constrangido porque pensei que o convite realizado fosse uma homenagem ao Ex-Diretor Geral da Estácio pela sua capacidade de administrar e levar adiante um projeto que em cinco anos tornou-se a maior escola de administração de SC.
Todos os cursos que ora estão se formando obtiveram a nota máxima de avaliação do MEC. Patrono é isso: uma pessoa que os formandos entendam deva ser exemplo na área de atuação dos cursos.
Decepcionado porque pensei que nossos alunos honrassem o título de Bacharel após quatro anos muita de luta e sacrifício. Patrono é isso: uma pessoa que dignifica a profissão. Surpreso porque jamais imaginei ter sido "comprado" como Patrono. Isto é, fui "eleito“ pelos formandos somente porque iria dar dinheiro para a formatura. Patrono não é isso. Patrono não se vende.
Triste porque vejo que não consegui - após quatro anos de curso superior - mudar os valores de alguns alunos da Estácio SC. Patrono é isso: uma pessoa que possui valores que prezam pela ética, moral, honra e palavra.
Sinto-me aliviado. Dormirei melhor...
Não consegui comprá-los por R$ 1.000,00. Obviamente a honraria de ser patrono vale muito mais que isso. Tivesse eu as qualidades de um patrono acima citadas - talvez me sentisse "enojado" com a situação. Como não as possuo, sinto-me aliviado em ter poupado um dinheirinho que seria gasto com pessoas das quais me envergonho ter sentido alguma consideração de relacionamento.
Assim sendo, e como não resta alternativa, com muita alegria aceito o "desconvite".
Entendo que outros formandos não devem compartilhar da mesma opinião dessa Comissão. A estes desejo sucesso e sorte.
À Comissão de Formatura e aos outros que trocaram o patrono por dinheiro o meu desprezo. Seguramente a vida lhes ensinará o que a faculdade não conseguiu!
Por último, desejo a todos a felicidade da escolha de um Patrono bem rico! Que ele possa pagar todas as despesas e contas... Seguramente a maior qualidade do homenageado!
Que tenham uma excelente formatura.
Estarei lá, presente, na qualidade de professor da Estácio.
Digam ao acadêmico orador que, em seu discurso, não fale em qualidades dignas do ser humano, muito menos em decência, honra, moral e ética. Se assim o fizer, irei aparteá-lo e chamá-lo de mentiroso!

Atenciosamente,
Prof. RUBENS OLIVEIRA, Dr. Ex-futuro Patrono dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo da Estácio de SC.


Uma linda história de coelhos

Adivinha  quanto eu te amo"Adivinha quanto eu te amo" de Sam Mcbratney, ed. Martins Fontes.

Eram horas de ir para a cama, e o coelhinho agarrou-se com firmeza às longas orelhas do coelho pai.
Depois de ter a certeza de que o pai coelho estava a ouvir, o coelhinho disse-lhe bem encostado ao ouvido:
- Adivinha quanto eu te amo!
- Ah, acho que isso eu não consigo adivinhar – respondeu o coelho pai.
- Tudo isto – disse o coelhinho, esticando os braços o mais que podia.
Só que o coelho pai tinha os braços mais compridos, e disse: - e eu amo-te tudo isto!
- Hum, isso é um bocado - pensou o coelhinho.
- Eu amo-te toda a minha altura – disse o coelhinho.
- E eu amo-te toda a minha altura – disse o coelho pai.
- Puxa, isso é bem alto - pensou o coelhinho. - Eu queria ter braços compridos assim.
Então o coelhinho teve uma boa ideia. Virou-se de cabeça para baixo apoiando as patinhas na árvore, e gritou: - Eu amo-te até às pontas dos dedos dos meus pés, papá!
- E eu amo-te até às pontas dos dedos dos teus pés – disse o coelho pai balançando o filho no ar.
- Eu amo-te toda a altura do meu pulo! - riu o coelhinho saltando de um lado para outro.
- E eu amo-te toda a altura do meu pulo – riu também o coelho pai, e saltou tão alto que as suas orelhas tocaram nos galhos da árvore.
- Isso é que é saltar - pensou o coelhinho. - Bem que eu gostaria de pular assim.
- Eu amo-te toda a estrada daqui até ao rio – gritou o coelhinho.
- Eu amo-te até depois do rio, até às colinas. – Disse o coelho pai.
- É uma bela distância - pensou o coelhinho. Mas, naquela altura já estava sonolento demais para continuar a pensar.
Então, ele olhou para além das copas das árvores, para a imensa escuridão da noite e concluiu: nada podia ser maior que o céu.
- Eu amo-te até à Lua! – disse ele, e fechou os olhos.
- Puxa, isso é longe – falou o pai coelho – longe mesmo!
O coelho pai deitou o coelhinho na sua caminha de folhas, inclinou-se e deu-lhe um beijo de boa-noite.
Depois, deitou-se ao lado do filho e sussurrou, sorrindo: - Eu amo-te até à Lua...ida e volta!

"Adivinha quanto eu te amo" de Sam Mcbratney, ed. Martins Fontes.